CONExÃO
“Saíndo da gravidade zero”
Estou cansado. Parece que toda a Ishimura quer minha cabeça, parece que sou o cara mais azarado do universo. Estou cansado, e tudo está conspirando contra mim, pelo menos estou armado com uma arma de cortar pedras, ou seja, não poderia ficar pior. Estou cansado, meu trage pesa, minha cabeça doí e eu mandei minha namorada para uma infestação alienigena, eu mandei minha namorada para o pior lugar do espaço. Estou cansado…
- Na sala a esquerda Isaac, um elevador de carga irá te levar para o setor de engenharia comunicativa – Elevadores e mais elevadores, o que eles tinham contra as escadas.
- Não teremos mais nenhuma surpresa não é Kendra?
- Esperamos que não.
A porta se abre, o chão está coberto com uma gosma grudenta, há um forte cheiro de carne podre que meu capacete mesmo filtrando ainda sim é possível sentir-lo. Ao fundo, a porta do elevador.
- Kendra, esta sala está repleta de um material que eu não sei bem o que é, mas não é nada agradável pisar nisto!
- Tentei fazer leituras, parece que é orgânico.
- Com certeza é orgânico
Ouço algo como um grito misturado a um grinado. Ao lado da porta do elevador uma massa de carne saí da gosma fedida e seus tentáculos se prendem a parede. Seus tentáculos parecem bem perigosos. Se aquilo foi uma pesso eu não sei, agora é apenas uma massa de carne querendo me matar, ele lança pequenos monstrinhos que tambem lançam agulhas afiadas de suas ventosas, pulo para o lado e atiro em seus tentáculos com o Plasma Cutter, o monstro urge e lança mais daqueles monstrinhos. Seus tentáculos tentam me agarrar mas consigo me esquirvar atirando neles, os monstrinhos lançam as agulhas que ficam presas no meu trage, meu pé fica preso na gosma e eu caio. Os tentáculos quase me acertam mas eu consigo cortar todos. O monstro agoniza e murcha como se fosse um balão, um cheiro ruim infesta a sala toda. Estou sujo de gosma fedida.
- Isaac, está tudo bem!?
- Nada, só mais um contra tempo.
O elevador range ao descer, estou apontando a arma para cima no caso de qualquer surpresinha mas tudo corre bem.
- Parece que você já está bem melhor Isaac. – Ela sempre vem me ver, não precisava mais, as enfermeiras poderiam cuidar de mim mas ela sempre vem me ver.
- Ainda sinto algumas dores, mas acho que já estou bem.
- É, eu vou arrumar a papelada para sua saída – ela dá meia volta e anda bem devagar como se esperasse que eu dissesse algo.
- Ehh, Nicole, sabe, ehh, eu queria perguntar se, ehh – Ela para, está de costas para mim – eu queria perguntar se você vai fazer algo depois, sabe, se você gosta de comer, ehh, claro que gosta de comer, mas, se gosta de…
- Adoro a velha culinária italiana.
- Eh, isso, você gostaria de…
- Claro! Próximo final de semana?
- Se não for incomodo.
- Veremos – ela saí da sala.
O elevador abre suas portas, não gosto deste silêncio todo. Estendo minha palma da mão para o chão e um faixo de luz azul ilumina as minhas cordenadas, é possível ouvir o som de carne sendo mastigada. São várias galerias de corredores suspensos, os cabos para a comunicação interna estão na parte inferior mas só é possível chegar lá desligando a gravidade.
- Isaac, a sua direita.
Puxo a alavanca com a minha arma anti-gravitacional e as coisas começam a flutuar ao meu redor, vários cadáveres mutilados.
“Entrando na gravidade zero”
Não estou sozinho.
Meu corpo começa a flutuar mas sinto algo estranho no ar, o barulho de carne sendo comida cessou mas começo a ouvir passos nas paredes de metal.
- Tem alguem aí!? – sinto-me ridículo agora.
Aponto o faixo de luz da Plasma Cutter para as paredes mas não consigo enchergar nada. As batidas estão cada vez mais fortes e vem de trás de mim.
Com certeza, eu vacilei.
Seus bafo quente estava embaçando meu visor, sua baba escorria pelo meu trage e seus dentes enormes se aproximavam de meu rosto. Ele tinha pulado em cima de mim e por sorte eu consegui segurar-lo antes que ele tivesse devorado minha cabeça. Ele está rugindo, a ponta de sua calda tem uma lamina afiadíssima que tenta cortar minha perna fora, mas estou a chutando. Ele está tentando arrancar minha cabeça, não conisgo atirar com o plasma cutter. A gravidade zero não está ajudando em nada, meu corpo está preso entre ele e o chão, se eu conseguisse flutuar…
Nunca senti um cheiro tão ruim na minha vida, este bicho feio em cima de mim querendo me comer, vejo mais um se aproximando, ele salta mas eu consigo atirar nele com o plasma cutter, ele perde a cabeça e começa a bater em todos os lados. Sua calda passa a milimetros de minha cabeça mas acerta o seu amigo que estava em cima de mim, consigo me afastar um pouco, puxo uma barra de ferro que estava flutuando com minha arma anti-gravitacional e ela impala o que estava me segurando. Conisgo me afastar mas vejo que mais três vem na minha direção.
Novamente, estou ferrado.
- Então, porque engenheiro? – Ela veste um vestido verde Jade, seus olhos são rápidos e seus cabelos loiros estão presos, ela sorri para mim. Estamos comendo spagetti.
Meu paí foi capitão das forças especiais, sabe a guerra de Kalih há vinte anos atrás? Pois é, ele foi o capitão da terceira divisão. Ele queria que eu fosse militar como ele foi mas eu acho que eu nunca conseguiria atirar em alguem – rimos da minha covardia? – como sempre gostei de matemática e física, virei engenheiro.
- Nerd!
- Ah, você é médica, tão nerd quanto eu!
- Era muito importante que eu fosse médica, minha família inteira é formada por médicos. Você nasceu na Terra?
- Sim, mas morei dês dos 15 na colônia Ashram, perto de Vênus.
- Nasci na colônia lunar, fiquei um tempo na Terra mas acabei voltando para a colônia lunar, fiz medicina lá.
- Nunca fui na colônia lunar.
- É um local lindo, a visão que temos da Terra é fantástica. Sua mãe? Tambem era militar?
- Não, pior, ela é religiosa demais. Uma das presidentes da Untologia na Ashram.
- Então, estou falando com um garoto religioso – parece que ela gosta de debochar de mim.
- Não, não gosto de lá, não gosto deles. Você frequenta?
- Um pouco, sinto paz nas igrejas. Você parece gostar muito da paz não é?
- Para um filho de militar que viu o pai ir a guerra e voltar pior do que era? É eu gosto da paz.
Droga.
A carga de plasma flutua débilmente pela sala. Sangue e pedaços de monstro. Estou atirando e eles ainda vem para cima de mim. Um me acerta e me lança para o lado oposto. Bato com violência contra a coluna central. Ele tenta pular para cima de mim mas eu consigo acertar sua calda com o Plasma Cutter. Ele sangra e rodopia, com a arma gravitácional, eu o impalo com a própria calda. É incrível que eles eram homens antes de virarem estas coisas.
- Kendra! Está sala está enfestada destas coisas. Não sei se tem mais, mas consegui matar alguns.
- Isaac, tem que descer no foço e conectar os cabos.
Descer mais um passo para o fundo do poço. Isso está ficando cada vez melhor.
Muitos cadáveres, praticamente o setor da engenharia comunicativa fora completamente dizimado. Escuto o som daqueles monstros me procurando no lado superior e alguns bantendo-se na fuzelagem. Utilizo a lanterna do Plasma Cutter para não me ferir em nenhuma ponta, por mais que meu trage seja blindado ele não é um trage militar.
- Kendra, más notícias. Parte do cabeamento foi completamente mastigado, só consigo ligar parte do sistema de comunicação interna da nave.
- Droga Isaac, você acha que isso vai conseguir livrar o acesso para a ponte?
- Não sei, eu acho que sim. Vamos testar.
Ligo cabo A com cabo B, troco o suprimento de ernegia e faço uma ponte extra, cabo C na ponte B para ernegia extra, salto para o outro lado da sala e desconecto todos os cabos danificados e ligo os cabos de suprimentos. Atraco as alavancas de ermegência e puxo a elevação superior ligando as placas de cobre A com a Z. Tudo iluminou-se como mágica, o foço do setor de Engenharia comunicativa ilumina-se, posso ver os cadáveres mais nitidamente.
- Isaac, o acesso à ponte está liberado, todas as portas estão abertas.
- Ok Kendra, vou subir.
Silêncio. Os monstros haviam sumido, acho que foram procurar outro lanchinho. Estabilizo-me para sair pela porta quando o chão tremer. Preparo o meu Plasma Cutter porque isso é sempre um mal sinal.
- Kendra, o que é isso?
O vidro de proteção se parte em vários pedaços e são lançados para o espaço. Sou arrastado para fora da nave surge do portal um ser grotesco e terrivel, com dois braços enormes e boca proporcional aos braços. Sua baba ácida corrói o chão. Ele parece não se importar com a sucção e vem para cima de mim. Consigo me jogar para cima, auxiliado pela gravidade, ele me agarra pela perna e me joga na parede o posta, bato a cabeça com violência e minha vista perde o foco. Atiro com o Plasma Cutter tentando fazer-lo parar. Ele vem em minha direção e vai me esmagar na parede. Deixo-me levar pela sucção e passo por debaixo das pernas dele. Atiro na trava de segurança e a porta se fecha fazendo tudo flutuar novamente na sala. Não há oxigênio e meu trage suporta até oito minutos no Vácuo. Não foi feito para manutenção exterior.O monstro urge, as suas juntas apodreceram e uma carne pustulenta amarela brilha, é a única parte vunerável do meu amigo. Novamente ele vem na minha direção, a gravidade está a meu favor e ele passa por debaixo de mim, atiro pelas costas e ele urge, os tiros de plasma são bastante efetivos. Ele joga em mim um banco e o mesmo se parte no meu peito fazendo-me flutuar para o outro lado. Ele novamente me agarra pela perna e me joga no chão. Seus punhos enormes passam a milímetros do meu rosto e sua baba está derretendo algumas partes do meu trage. Atiro novamente nas partes amarelas e ele recua. Seu braço caí. Ele está urgindo pela sala. Tenho quatro minutos de oxigênio. Ele novamente lança coisas sobre mim eu não consigo me esquirvar do armário de ferramentas que vem em velocidade maior na minha direção. Ele novamente corre para tentar me esmagar quando eu atiro na sua outra parte vunerável partindo o seu braço no meio. Ele cai de cara no chão fazendo uma risca de bába ácida. Dou vários tiros de Plasma Cutter na sua cabeça para matar o bicho. Ele dá seu rugido final.
Meu corpo está muito dolorido, tenho um minuto de oxigênio. A porta está trancada. Com a descompressão todo o setor ficou fechado, só dá para abrir por fora.
- Kendra, estou preso, o sala está sem suporte vital e a descompressão ligou o sistema de ermegência.
- Estou tentando abrir Isaac, aguente firme.
Meu ar está acabando, começo a bater na porta. Tenho 40 segundos de oxigênio.
- Kendra, rápido! Estou sem ar, estou morrendo Kendra! – minha vista começa a escurecer. Não consigo respirar, vinte segundos.
- Isaac, está protegida com código unilateral, só é possível abrindo por fora ou se eu Hackear o sistema.
Caio de joelhos, não consigo respirar.Meus olhos lácrimejam, quero ver Nicole denovo. Meus pulmões doem, eles tentam aproveitar todo o ar que ainda me resta. Meu suporte vital chega a zero, sinto dor, começo a me debater.
- Isaac!
Eu estou morrendo, minha vista escurece, eu estou morrendo.
- Isaac, aguente firme, estou quase conseguido.
Eu não sabia que sendo engenheiro minha vida teria tanta ação assim. Agora eu estou morrendo em uma nave infestada de alienigenas, Nicole, eu acredito que ela está viva, Nicole, eu queria te buscar, eu…
Acho que cheguei a o fim.
- Isaac!!!!
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