28 de mar. de 2011

DEAD SPACE - ISHIMURA CHRONICLES - CAPÍTULO 2



DEAD SPACE - ISHIMURA CHRONICLES
CAPÍTULO 2 - ATRAVÉS DO UNIVERSO
                Sabe, quando eu decidi que ia ser engenheiro não foi para ter uma vida de aventuras e tal. Eu gosto de mecânica, eu gosto de eletrônica, eu gosto de engenharia. Meu pai sempre quis que eu fosse algum tipo de militar mas eu sempre preferi utilizar minha cabeça para coisas digamos mais técnicas.
- Isaac!! Não use o elevador!!! – Essa é Kendra gritando para mim depois que eu usei o elevador. O som de metal retorcendo realmente assusta bastante, como se estivesse sendo digerido por um monstro gigante. Vejo alguns pares de olhos brilhando acima de mim e logo vejo a boca enorme do que seria uma espécie de verme gigante que estaria morando no poço daquele elevador. Sua boca redonda como se fosse uma solitária cheia de dentes se aproximando. Com meu Plasma Cutter começo a atirar no verme mas parece que os tiros não fazem efeito                                              -                -Isaac!
- Kendra, agora não!

                 O monstro se aproxima mas parece que algo dele deve ter ficado preso, o elevador continua a descer e me distancio porém ainda consigo ouvir o mesmo se aproximar denovo. Seus olhos já estão próximos e seus dentes novamente prontos para me devorarem. Atiro com o Plasma Cutter em seus olhos e ele faz um barulho insurdercedor que creio ter sido ouvido por toda Ishimura. Atiro nos outros olhos desesperadamente tentando-o fazer afastar, ele se debate no poço do elevador e recua, seu sangue viscoso cai sobre o solo do elevador e o faz derreter, as coisas melhoram cada vez mais, alem de um monstro gigante, feio e faminto ele ainda tem sangue ácido.
  
                  O elevador parou, o sangue do grandalhão derrete partes do elevador.
  - Kendra, parece que o maldito travou algo, o elevador não está descendo, alguma rota alternativa?
  - Isaac, teria que subir dois andares, você consegue fazer isso?
  - Eu teria que escalar o… - o elevador dá um solavanco. Noto que o verme sumiu do poço mas seu sangue está fazendo os cabos partirem – Kendra, ainda há muitos andares abaixo de mim?
  - Uma queda profunda Isaac – ela não tem a oportunidade de terminar, os cabos se partem e caio em uma queda livre sem fim. Tenho certeza que vou morrer, quando vejo os andares passarem diante dos meus olhos. Tento ao máximo não me chocar com nenhum detrito da nave, isso com certeza me multilaria. Uma queda profunda, meu coração bate rapidamente, meus pés não conseguem tocar ao chão e sei que quando tocarem estarei destroçado. Não vejo minha vida passar pela minha frente.
  - 3 mg de Epiferina, rápido, levem-no para a sala de cirurgia!
  Não vejo minha vida.
  - Chame a dra. Brennan! Chame a dra. Brennan!
  Não vejo meus últimos minutos.


                                          …


- Charlie, tem certeza que desligou os propussores a gás, certo?
- Não se procupe Isaac, eles tem travas de emergência.
  Estavamos voando em uma turbina quebrada. A gravidade zero sempre me deixou enjoado mas dizem que depois de algum tempo você acaba se acostumando.
- Charlie, estão abrindo vagas para as naves exploradoras, está sabendo?
- Furada Isaac, furada. Eles enchem estas naves de merda e ficam voando de um canto a outro, quando eles encontrarem problemas sérios você vai ver que terá um arrependimento geral.
  - O pessoal da Untologia está por trás disto, como sempre.
- Lembra o Ian?
- Ian?
- Sim, engenheiro arcústico da ala 20, aquele que perdeu parte do cabelo na explosão da matriz 101. É, ele entrou para a Untologia. Parece um doido andando de um lado para o outro acreditando na volta do ser supremo.
- Acho que aquela explosão levou mais que o cabelo dele.
- Com certeza.
Ligo o maçarico plasmático. Charlie não desligou o gás e não havia trava de segurança. Parte da turbina explode e sou lançado na parede oposta. Meu trage amorteceu o impacto mas sinto um escorrer molhado na parte inferior esquerda do meu abdomem. Estou perfurado por um detrito solto, um cano saido da parede.
Não ví minha vida passar diante dos meus olhos.
- Como está o paciente? – ela tem olhos lindos.
- Dra. Brennan, foi transpassado por uma barra de ferro solta na parede, ele estava em gravidade zero e isso estancou um pouco do sangramento.
- Temos que reparar os tecidos destruídos, o DRI dele está em nível crítico, ele perdeu muito sangue! Yamoto, pegue o bisturi a laser, temos que limpar isso ao máximo, uma infecção aqui e ele está morto! -  ela fica mais linda quando dá ordens. Não ví a cor do seu cabelo nem a do seus lábios, estavam protegidos pela máscara – No três desativar a trava de segurança do trage.
  Meu trage se abre na mesa de operações como se fosse uma casca de ovo, sinto-me com vergonha, vejo a perfuração na minha barriga quase atravessando-me. Ah, Charlie, te odeio.
  - Você vai ficar bem – sua voz suave… Sinto-me leve.
  Leve.
  - Isaac!? Isaac!!? – estou flutuando no espaço. O elevador caiu por um buraco feito no casco diretamente para o espaço sideral. Estou flutuando no lado de fora da Ishimura. Possívelmente o verme tenha entrado por esta fenda no casco.
  - Kendra, estou bem, estou no lado de fora da Ishimura, o elevador caiu para fora da nave num buraco no casco.
  - Isso pode ter sido uma boa Isaac, você conseguira acesso para os quadros de ligação. De uma forma alternativa dá para tentar ligar a comunicação interna.
  - Vou tentar ir pelo casco da Ishimura, qualquer coisa te contacto.
  
              Me sinto tão solitário aqui fora, a escuridão total do espaço sideral. Meu mostrador indica que tenho mais cinco ou seis minutos de oxigênio porém nestas naves sempre tem respiradores no casco. Creio eu. Meu trage se adere a superfície e começo a caminhar pelo casco da Ishimura em total silêncio, não há oxigênio no espaço, logo, não há som.
  - Isaac, mais alguns metros, você encontrará escotillhas de pressurisação.
  - Kendra, senti alguma coisa batendo no casc…
  Nessas horas eu acredito ser difícil ser eu.
  Meu trage é arrastado pelo casco sa Ishimura e eu, estou dentro do coitado do trage. Um tentáculo está me puxando enquando eu atiro com o Plasma Cutter em todas as direções. Kendra está gritando no meu ouvido e minha perna está quase sendo arrancada. Estou respirando com dificuldade, meu oxigênio não vai suportar por muito tempo, estou sendo arrastado. Cada segundo meu parece o último. Nicole…
  - Mas que droga!! – o espaço sideral não me respondeu.
  Um buraco no casco, estou sendo arrastado para um buraco no casco, vejo uma parte onde a carne está apodrecida e atiro nela, faço o braço se partir, mas deixo algo enfurecido. Ergue-se do casco da Ishimura um verme maior do que o que me atacou no poço do elevador, tentáculos voam na minha direção e me lançam na outra parte do casco. Bato as costas em alguma coisa e sinto uma dor aguda. Parece que eu acertei um respirador. Os tentáculos tentam me acertar enquanto eu recarrego o oxigênio e atiro. Não tenho muita munição e o verme vem na minha direção. Pulo para o espaço fugindo do seu ataque mas seu tentáculo se prende novamente em minha perna e ele me ergue na direção de sua boca. Seus dentes e sua lingua pontuda se aproximam de minha cabeça. Esta é a hora! Atiro no céu de sua boca.
  Papai ficaria orgulhoso de mim.
   - Sr. Clarke não é?
  - E você é a doutora Brennan, acertei?
  - Isso mesmo, pode me chamar de Nicole – tento me mexer, meu corpo todo está dormente – Não tente se mexer, está em suspenção criogênica, melhor que te congelar por completo, assim você poderá se reabilitar mais rápido.
  - E o que aconteceu?
  - Explosão de gás, para um Engenheiro graduado que nem você, deveria saber que  um maçarico de Plasma e Gás não combinam – ela pega o prontuário. Seus dedos macios – Três costelas quebradas, braço esquerdo fraturado, perna fraturada, penetração de uma barra de ferro de 1,5 mm no abdomem causando ruptura dos vasos, perfuração do pulmão esquerdo e leve traumatismo crâneano causando coma. Sabe que está aqui há duas semanas.
   - Por isso não consigo sonhar. E Charlie!? Ele está bem? Como ele está?
  - Ele precisou se congelado, sofreu muitos danos, seu DRI estava quase vazio, ele vai ficar bem porém perdeu a perna.
- Ele perdeu a perna…
  - E você quase perdeu a vida. Agora descanse senão eu vou ter que congelar-lo.
  E ela se foi pela porta, sonhei com ela.
  Minhas costas doem, a Ishimura é bem dura mesmo em gravidade zero. O verme gigante está furioso porque eu atirei na boca dele e parti seus dentes. Mas ele não morre e agora que está sagrando o ácido começa a corroer ao seu redor. Um dos tentáculos me acerta novamente e sou lançado para umas das escotilhas de pressurisação. O vidro trinca e o verme se posiciona na minha frente.
  - Vamos lá grandão, tente vir – É, pareço um idiota falando.
   O tentáculo do verme parte o vidro e despressuriza a sala jogando tudo para o espaço sideral
  - Gás – Uma barra de combustível voa na minha frente. Consigo pegar-la com minha arma telecinética quando o verme resolve me tentar me comer. Eu só tenho uma chance.
  - Finalmente acordou rapaz! – Ele fala do meu lado – nessas horas que eu queria ser bonito. Sabe que aquela doutorinha loira veio te visitar todos os dias?
  - Charlie? Não tinham te congelado?
  - Me reabilitaram há duas semanas, parece que vou receber aposentadoria, não é ótimo?
  - Parece que minhas crianças acordaram – ela entra na sala, parece-me mais linda a cada passo – Charlie, ainda sente a perna?
  - Não doutoura, acho que já me acostumei.
- E você tigrão? Melhor?
  - Eh, ah, ehh, acho que sim.
   - Ele está ótimo doutora, ele é assim mesmo.
  - Muito engraçado Charlie…
  Silêncio…
  O espaço é assim, uma vasta solidão. Consigo ouvir meu coração palpitando dentro do meu peito, e sinto o gosto de sangue, ser jogado de lá para cá como um boneco de pano não deve fazer muito bem para a saúde. O verme está morto depois que eu explodi um cilindro de gás na cara dele. Seu corpo voa pela gravidade zero.
  
                - Ele está morto Kendra.
  - Isaac, a janela de despressurisação fica logo acima.
  - Obrigado por perguntar se eu estou bem Kendra.
  - Ah, eh, desculpe.
Silêncio… O espaço é assim, todos nós sabemos que não estamos sozinhos nesta imensidão. Há mais mistérios aqui do que se possa imaginar. Sou um reles Engenheiro procurando a namorada numa infestação alienigena.
Meu pai ficaria orgulhoso de mim.

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