DEAD SPACE - ISHIMURA CHRONICLES CAPÍTULO 4
NO CORAÇÃO DO INFERNO

- Adorei – eu não tinha muito o que falar, quando somos engenheiros nós normalmente só seguimos protocólos. Digamos que andei muito tempo estudando como funciona um hiper gerador.
- Eu também adorei! Meu restaurante favorito daqui – ela sempre sorri quando olha para mim, seus olhos azuis…
- Poxa, agente deveria se encontrar mais vezes, não acha? – estamos indo para a casa dela, fica na ala sul da colônia, ala médica.
- Ah, da próxima vez você vai nos levar em um lugar que você goste – eu não conheço nada nesta colônia, diga-se de passagem. Nós paramos em frente a casa dela, novamente não sei muito o que dizer – então, até mais?
- Bem – ela sorri – até breve então. Nicole sobe as escadas lentamente, eu me afasto andando de volta lentamente, sinto meu coração um pouco pesado, como se tivesse que falar alguma coisa mas que não tivesse saído.
“Moradores da Colônia Ishnah, pedimos para que se encaminhem para suas residências ou para setores de segurança nos próximos 30 minutos, o sistema de manutenção será desabilitado para manutenção”
Nicole está me esperando no pé da escada.
- Eu acho que você vai ter que ficar aqui em casa, senhor engenheiro.
- Acho que não consigo prender a respiração por tanto tempo – nós rimos.
Estou morto.
Estou morto.
Estou morto?
Vejo o corpo de Nicole, vejo o rosto de Nicole.
- Nicole?
Vejo Ishimura, a nave gigante.
Vejo estes montros malditos.
Estou morto?
O ar volta aos meus pulmões, meu capacete foi literalmente arrancado, mas usaram a trava de segurança. Vomito. O ar queima meus olhos.
- Isaac, você está bem?
- Hammond!!? Achei que tinha morrido, perdemos seu contato.
- Essas coisas me pegaram, mas vão precisar de mais para me pegarem. Você quase morreu sufocado.
- É, movimento impreciso.
Kendra aparece na imagem holográfica progetada pelo meu peito.
- Hammond!! Achei que tivesse morrido, o seu DRI sumiu, o que houve?
- Alguem está interceptando o nosso sinal, não conseguia contactar nem você nem Isaac.
Eu e Hammond andamos nos corredores escuros, um silêncio incomum aplacava a nave agora parcialmente iluminada. Algumas portas trancadas estão abertas, alguns locais escuros agora funcionam e reabilitei o sistema de manutenção vital de algumas alas. Não há sobreviventes em lugar nenhum, só estas coisas. Pergunto-me sempre o que aconteceu aqui, mas tenho fé que Nicole estará viva, ela é mais inteligente do que eu.
- Isaac, vou tentar chegar até Kendra, vamos tentar comunicação com outra nave. Kendra na escuta? Como chegar na células de comunicação?
- Hammond, vocês não estão longe, deve haver um elevador de carga logo a frente, ele dará na ala de limpeza da nave, tem um elevador direto para a sala de manutenção das células de comunicação.
- Isaac, vou até a ponte, chegue nas células de comunicação, daremos novas coordenadas.
E Hammond desaparece nas sombras atrás de mim, estou novamente sozinho no coração infernal do do Espaço.
O elevador chega na área de limpeza. Alguns dos monstros me esperavam no lugar, acabo com eles com certa facilidade, eu atiro nas pernas e depois esmago a cabeça. Um atira algumas cerdas mas consigo eliminar-lo com facilidade. Recarrego o Plasma Cutter, a capsula de plasma brilhante rola pelo chão.
- Kendra, por onde?
- Isaac, tem uma área de gravidade zero logo a frente, é um foço. Poderá descer por lá.
Eu já devo ter mensionado que eu odeio gravidade zero.
- Bonita sua casa.
- Obrigada – haviam livros espalhados pelo chão do qual ela sai apanhando-os enquanto entra na casa – desculpa esta bagunça toda!
- Diz isso por que não viu meu alojamento.
- Falando nisto, eu agradeço muito o que fez por mim.
- Você estava muito ferido, mas deu para concertar direitinho – seu sorriso amolece meu corpo.
- Ehh…
“Entrando na gravidade zero”
Não havia corpos, creio que não havia ninguém no setor de limpeza quando isso tudo explodiu. Saio voando pela sala. É um foço estreito que dá em um andar inferior, vou descendo cada vez mais.
- Isaac, veja qual o estado das células de comunicação. Tente ativar-las para abrirmos a rede das antenas.
Não havia corpos, não havia sons, não havia nada.
Não havia pensamentos.
“Saindo da gravidade zero”
As portas se abrem com um certo pesar. A sala está lotada de gosma.
- Kendra, as coisas aqui não estão nada boas.
- Por que Isaac.
Eu até responderia o porquê se um tentáculo não tivesse agarrado meu pé e me puxado para o interior da sala. Atiro desesperadamente na parte pustulenta do tentáculo mas desta vez isso não está funcionando tão bem. Ele me ergue, olho para baixo. No interior da sala há um monstro cheio de tentáculos com os dentes para cima, algo que lembra muito uma anêmona da Terra, ele abre sua boca enorme, atiro com o Plasma Cutter na língua do monstro e ela fica pendurada na boca do bicho, ele me joga na parede oposta. Fico preso na gosma.
- Kendra, mas que diabos é esta coisa!?
- Não sei Isaac, ele estava se alimentando do magnetismo da nave, não sei!
O outro tentáculo vai em minha direção.
- Nicole – eu a beijo.
- Isaac – ela me beija.
- Nicole – nossos corpos esquentam, lá fora silêncio puro. Ouço o seu coração no seu corpo nu.
- Isaac – ela beija meu pescoço.
- Nicole – eu a amo.
- Isaac – ela me ama.
Não há nada lá fora, nem oxigênio. A colônia está escura, quando entram em manutenção é assim, desligam tudo. Somos um ponto vazio no profundo espaço, no coração gélido deste lugar. Nicole, ela apoia a cabeça no meu peito, dorme profundamente. Todos dormem, todos acabam dormindo. Não sei bem ao certo o porquê disto tudo, eu acho que a amo, amo quem me salvou a vida, amo quem me deu um novo viver. Eu sou um engenheiro graduado porém sou uma criança grande, não sei ao certo.
Ela dorme como um anjo.
Gosma.
Os tentáculos tentam me atacar, corto-os com o plasma cutter. Acho que enfureci o bicho. Ele tenta me atacar de todos os lados, sou jogado como um boneco de pano. Ele destruiu algumas células de comunicação se alimentando delas. O olho do bicho é o ponto fraco porém acerta-lo é o dificil. Pego alguns tambores de combustivel com o aparato anti-gravitacional e lanço no monstro, eles explodem mas não causam muito dano. Novamente os tentáculos, um me pega pelo pé e me ergue, atiro desesperadoramente no tentáculo mas ele é muito forte. Me carrega até a sua boca fedida, seus dentes lustrosos estão prestes a devorar minha carne.
Pulsa assim o coração infernal do espaço
CONTINUA

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