SILENT HILL – A CIDADE DO SILÊNCIO
CAPÍTULO 3 - ABISMOS
- Calma meu amigo, ele não sentiu muita dor. Você deve estar realmente assustado com isso tudo não é? Calma meu amigo, a calma é a virtude dos virtuosos! Tive que ter muita calma para chegar até aqui agora não posso errar cada passo que eu dou – ele caminha de um lado para o outro na sala, fala para mim como se falasse sozinho. O cadáver de Carl no chão, a poça de sangue crescendo ao seu redor – logo eles estarão aqui de novo, estão atrás de nós. Devemos cumprir nossos objetivos na Terra para que Samael possa retornar.
Fico zonzo, ajoelho no chão. Vejo ele se aproximar, sinto que ele vai me matar como matou Carl. Ele se ajoelha ao meu lado.
- O momento ainda não é este, durma mas não profundamente para que não durma eternamente.
Tudo desaparece.
Acordo, estou na delegacia. O cadáver de Carl ainda está lá, o sangue coagulou.
Há algumas balas na gaveta de uma mesinha de canto. Saio depressa da delegacia, remunicio o revolver. Peguei tambem uma tonfa, pode ser útil. A névoa está mas espessa, Não consigo ver nada ao meu redor. Notei que não consigo sentir minha presença dês que cheguei nesta cidade. Caminho pelas ruas sem um rumo certo, não sei para onde devo ir. Não sei onde estou, várias vezes dou de cara com abismos, o rádio começa a chiar e eu saio correndo para não dar de cara com aquelas criaturas. Ouço batidas vindo do depósito externo de lixo de uma das lojas. Me aproximo com a arma em punhos, elas vão ficando cada vez mais fortes, elas vão ficando cada vez mais intensas. Noto que o rádio não está chiando mas mesmo assim as batidas estão fortes. Abro o compartimento e uma mulher cai no chão.
- Ah, quem é você!? – Ela se arrasta assustada, acha que eu sou mais uma criatura.
- Calma, não vou te machucar, o que você estava fazendo ai dentro?
- A sirene, nada sobrevive aqui fora quando a sirene toca, eu consegui fazer o simbolo com meu sangue na porta deste compartimento, eles não me pegaram. O simbolo, eles não se aproximam!
- Do que você está falando? Que sirene, que simbolo?
- Ah, me desculpe, pareço uma lunática falando – ela se levanta e estende a mão para mim – Cyntia Bennett.
- Ah, prazer, Aaron Ashford. O que faz nesta cidade?
- Eu, eu, eu não sei. Parece que vivo aqui há anos mas não sei como cheguei aqui. Eu não sei a quanto tempo estou aqui. Não sei o que estou procurando.
- Eu tambem sinto a mesma sensação. Você chegou a conhecer Carl Earlier na delegacia?
- Não, não sabia que tinha outra pessoa aqui. Achei que estava sozinha, não consigo encontrar ninguém.
O rádio começa a chiar, ouço barulhos de passos em meio a névoa.
- Eles estão se aproximando.
- Droga, não poderemos seguir por aqui – um abismo bloqueava a saída do parquinho – ele estão vindo atrás de nós?
- Não sei, eles se movem lentamente. Tem uma escada de incêndio ali, o prédio não é muito alto, talvez conseguiremos pular de um para o outro.
Subimos a escada de incêndio dando no topo do pequeno prédio; eram apenas três andares. Pulamos para o outro lado e descemos para a rua.
- O que é esta sirene?
- Não sei ao certo, quanto toca uma sirene tudo fica escuro, parece que atravessamos o portal para o inferno e essas criaturas saem a nossa caça. Essas que ficam são as que não conseguiram se esconder quando tudo volta ao normal. Nada sobrevive quando esta cidade muda.
Um abismo nos separava da entrada do colégio. Havia como ponte um caminhão que ficara entalado entre uma parede e outra do abismo.
- Teremos que seguir por ali, é o único jeito.
- Você só pode estar louco! Não sabe se aquele caminhão aguentara o nosso peso.
- Tem uma ideia melhor? Eu só não quero ficar aqui quando eles chegarem.
Cruzamos pelo caminhão, não conseguia ver o fundo do abismo, apenas névoa e mais névoa. Sinto como se uma voz me mandasse pular, resisto e devagar vou me aproximando da outra beira do abismo – estamos quase…
O caminhão desliza um pouco, seguro a mão de Cyntia.
- O caminhão vai cair!
Corremos para o outro lado, o caminhão está deslizando cada vez mas, eu salto, o caminhão caí, seguro a mão de Cyntia. Vejo o caminhão batendo nas paredes do abismo e sumindo, sem explosão, sem baque final, como se simplesmente desaparecesse.
- Segura, não vou te soltar! – ela pesa bastante.
- Se me soltar eu não te perdoo!
CONTINUA
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