26 de abr. de 2011

Dead Space - Ishimura Chronicles - capítulo 4


DEAD SPACE - ISHIMURA CHRONICLES CAPÍTULO 4 
NO CORAÇÃO DO INFERNO 

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- Adorei – eu não tinha muito o que falar, quando somos engenheiros nós normalmente só seguimos protocólos. Digamos que andei muito tempo estudando como funciona um hiper gerador. 
- Eu também adorei! Meu restaurante favorito daqui – ela sempre sorri quando olha para mim, seus olhos azuis… 
- Poxa, agente deveria se encontrar mais vezes, não acha? – estamos indo para a casa dela, fica na ala sul da colônia, ala médica. 
- Ah, da próxima vez você vai nos levar em um lugar que você goste – eu não conheço nada nesta colônia, diga-se de passagem. Nós paramos em frente a casa dela, novamente não sei muito o que dizer – então, até mais? 
- Bem – ela sorri – até breve então. Nicole sobe as escadas lentamente, eu me afasto andando de volta lentamente, sinto meu coração um pouco pesado, como se tivesse que falar alguma coisa mas que não tivesse saído. 

“Moradores da Colônia Ishnah, pedimos para que se encaminhem para suas residências ou para setores de segurança nos próximos 30 minutos, o sistema de manutenção será desabilitado para manutenção” 

Nicole está me esperando no pé da escada. 
- Eu acho que você vai ter que ficar aqui em casa, senhor engenheiro. 
- Acho que não consigo prender a respiração por tanto tempo – nós rimos. 

Estou morto. 
Estou morto. 
Estou morto? 

Vejo o corpo de Nicole, vejo o rosto de Nicole. 
- Nicole? 
Vejo Ishimura, a nave gigante. 
Vejo estes montros malditos. 
Estou morto? 
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O ar volta aos meus pulmões, meu capacete foi literalmente arrancado, mas usaram a trava de segurança. Vomito. O ar queima meus olhos. 
- Isaac, você está bem? 
- Hammond!!? Achei que tinha morrido, perdemos seu contato. 
- Essas coisas me pegaram, mas vão precisar de mais para me pegarem. Você quase morreu sufocado. 
- É, movimento impreciso. 
Kendra aparece na imagem holográfica progetada pelo meu peito. 
- Hammond!! Achei que tivesse morrido, o seu DRI sumiu, o que houve? 
- Alguem está interceptando o nosso sinal, não conseguia contactar nem você nem Isaac. 
- Que droga, esta nave está brincando com agente. 

Eu e Hammond andamos nos corredores escuros, um silêncio incomum aplacava a nave agora parcialmente iluminada. Algumas portas trancadas estão abertas, alguns locais escuros agora funcionam e reabilitei o sistema de manutenção vital de algumas alas. Não há sobreviventes em lugar nenhum, só estas coisas. Pergunto-me sempre o que aconteceu aqui, mas tenho fé que Nicole estará viva, ela é mais inteligente do que eu. 
- Isaac, vou tentar chegar até Kendra, vamos tentar comunicação com outra nave. Kendra na escuta? Como chegar na células de comunicação? 
- Hammond, vocês não estão longe, deve haver um elevador de carga logo a frente, ele dará na ala de limpeza da nave, tem um elevador direto para a sala de manutenção das células de comunicação. 
- Isaac, vou até a ponte, chegue nas células de comunicação, daremos novas coordenadas. 
E Hammond desaparece nas sombras atrás de mim, estou novamente sozinho no coração infernal do do Espaço. 
O elevador chega na área de limpeza. Alguns dos monstros me esperavam no lugar, acabo com eles com certa facilidade, eu atiro nas pernas e depois esmago a cabeça. Um atira algumas cerdas mas consigo eliminar-lo com facilidade. Recarrego o Plasma Cutter, a capsula de plasma brilhante rola pelo chão. 
- Kendra, por onde? 
- Isaac, tem uma área de gravidade zero logo a frente, é um foço. Poderá descer por lá. 
Eu já devo ter mensionado que eu odeio gravidade zero. 

- Bonita sua casa. 
- Obrigada – haviam livros espalhados pelo chão do qual ela sai apanhando-os enquanto entra na casa – desculpa esta bagunça toda! 
- Diz isso por que não viu meu alojamento. 
- Então? Eu tenho café vindo da Terra, está um pouco mais difícil encontrar-los mas ser médica tem suas vantagens
- Falando nisto, eu agradeço muito o que fez por mim. 
- Você estava muito ferido, mas deu para concertar direitinho – seu sorriso amolece meu corpo. 
- Ehh… 

“Entrando na gravidade zero” 
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Não havia corpos, creio que não havia ninguém no setor de limpeza quando isso tudo explodiu. Saio voando pela sala. É um foço estreito que dá em um andar inferior, vou descendo cada vez mais. 
- Isaac, veja qual o estado das células de comunicação. Tente ativar-las para abrirmos a rede das antenas. 
Não havia corpos, não havia sons, não havia nada. 
Não havia pensamentos. 

“Saindo da gravidade zero” 

As portas se abrem com um certo pesar. A sala está lotada de gosma. 
- Kendra, as coisas aqui não estão nada boas. 
- Por que Isaac. 
Eu até responderia o porquê se um tentáculo não tivesse agarrado meu pé e me puxado para o interior da sala. Atiro desesperadamente na parte pustulenta do tentáculo mas desta vez isso não está funcionando tão bem. Ele me ergue, olho para baixo. No interior da sala há um monstro cheio de tentáculos com os dentes para cima, algo que lembra muito uma anêmona da Terra, ele abre sua boca enorme, atiro com o Plasma Cutter na língua do monstro e ela fica pendurada na boca do bicho, ele me joga na parede oposta. Fico preso na gosma. 
- Kendra, mas que diabos é esta coisa!? 
- Não sei Isaac, ele estava se alimentando do magnetismo da nave, não sei! 
O outro tentáculo vai em minha direção. 
- Nicole – eu a beijo. 
- Isaac – ela me beija. 
- Nicole – nossos corpos esquentam, lá fora silêncio puro. Ouço o seu coração no seu corpo nu. 
- Isaac – ela beija meu pescoço. 
- Nicole – eu a amo. 
- Isaac – ela me ama. 
Não há nada lá fora, nem oxigênio. A colônia está escura, quando entram em manutenção é assim, desligam tudo. Somos um ponto vazio no profundo espaço, no coração gélido deste lugar. Nicole, ela apoia a cabeça no meu peito, dorme profundamente. Todos dormem, todos acabam dormindo. Não sei bem ao certo o porquê disto tudo, eu acho que a amo, amo quem me salvou a vida, amo quem me deu um novo viver. Eu sou um engenheiro graduado porém sou uma criança grande, não sei ao certo. 
Ela dorme como um anjo. 
Gosma. 
Os tentáculos tentam me atacar, corto-os com o plasma cutter. Acho que enfureci o bicho. Ele tenta me atacar de todos os lados, sou jogado como um boneco de pano. Ele destruiu algumas células de comunicação se alimentando delas. O olho do bicho é o ponto fraco porém acerta-lo é o dificil. Pego alguns tambores de combustivel com o aparato anti-gravitacional e lanço no monstro, eles explodem mas não causam muito dano. Novamente os tentáculos, um me pega pelo pé e me ergue, atiro desesperadoramente no tentáculo mas ele é muito forte. Me carrega até a sua boca fedida, seus dentes lustrosos estão prestes a devorar minha carne. 
Pulsa assim o coração infernal do espaço 
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CONTINUA

15 de abr. de 2011

SILENT HILL - A CIDADE DO SILÊNCIO - CAPÍTULO 3



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SILENT HILL – A CIDADE DO SILÊNCIO
CAPÍTULO 3 - ABISMOS

- Calma meu amigo, ele não sentiu muita dor. Você deve estar realmente assustado com isso tudo não é? Calma meu amigo, a calma é a virtude dos virtuosos! Tive que ter muita calma para chegar até aqui agora não posso errar cada passo que eu dou – ele caminha de um lado para o outro na sala, fala para mim como se falasse sozinho. O cadáver de Carl no chão, a poça de sangue crescendo ao seu redor – logo eles estarão aqui de novo, estão atrás de nós. Devemos cumprir nossos objetivos na Terra para que Samael possa retornar.
Fico zonzo, ajoelho no chão. Vejo ele se aproximar, sinto que ele vai me matar como matou Carl. Ele se ajoelha ao meu lado.
- O momento ainda não é este, durma mas não profundamente para que não durma eternamente.
Tudo desaparece.
Era um túnel comprido. Uma luz no fundo, um pesado cheiro de incenso. Meu corpo está pesado, caminho, estou enjoado, caminho, nunca chego, caminho. Ouço, lá fora, o som da chuva. A luz queima meus olhos, sinto a água descendo pelo meu corpo, estou em uma especie de bosque onde este túnel talvez fosse o acesso para uma linha de metrô desativada. Está chovendo forte e sinto frio. Na árvore um símbolo, um círculo vermelho com vários desenhos dentro. Aproximo, sinto um calor vindo daquela árvore como se fosse um sol irradiante. Estendo a mão e toco no simbolo, ele me puxa para a árvore, eu resisto, tento puxar meu braço mas ele o arranca, o meu sangue espirra por toda a grama verde. Uma criatura saí do símbolo e prepara para me matar. 
Acordo, estou na delegacia. O cadáver de Carl ainda está lá, o sangue coagulou.
Há algumas balas na gaveta de uma mesinha de canto. Saio depressa da delegacia, remunicio o revolver. Peguei tambem uma tonfa, pode ser útil. A névoa está mas espessa, Não consigo ver nada ao meu redor. Notei que não consigo sentir minha presença dês que cheguei nesta cidade. Caminho pelas ruas sem um rumo certo, não sei para onde devo ir. Não sei onde estou, várias vezes dou de cara com abismos, o rádio começa a chiar e eu saio correndo para não dar de cara com aquelas criaturas. Ouço batidas vindo do depósito externo de lixo de uma das lojas. Me aproximo com a arma em punhos, elas vão ficando cada vez mais fortes, elas vão ficando cada vez mais intensas. Noto que o rádio não está chiando mas mesmo assim as batidas estão fortes. Abro o compartimento e uma mulher cai no chão. 
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- Ah, quem é você!? – Ela se arrasta assustada, acha que eu sou mais uma criatura.
- Calma, não vou te machucar, o que você estava fazendo ai dentro?
- A sirene, nada sobrevive aqui fora quando a sirene toca, eu consegui fazer o simbolo com meu sangue na porta deste compartimento, eles não me pegaram. O simbolo, eles não se aproximam!
- Do que você está falando? Que sirene, que simbolo?
- Ah, me desculpe, pareço uma lunática falando – ela se levanta e estende a mão para mim – Cyntia Bennett.
- Ah, prazer, Aaron Ashford. O que faz nesta cidade?
- Eu, eu, eu não sei. Parece que vivo aqui há anos mas não sei como cheguei aqui. Eu não sei a quanto tempo estou aqui. Não sei o que estou procurando.
- Eu tambem sinto a mesma sensação. Você chegou a conhecer Carl Earlier na delegacia?
- Não, não sabia que tinha outra pessoa aqui. Achei que estava sozinha, não consigo encontrar ninguém.
O rádio começa a chiar, ouço barulhos de passos em meio a névoa.
- Eles estão se aproximando.
  - Eu sei onde podemos nos proteger por algum tempo, tem uma escola não tão longe daqui – ela não conseguiu terminar a frase direito, uma bola de acido acerta a parede entre nós dois. Um dos monstros anda débilmente para a nossa direção. Corremos pelas ruas, pulamos a cerca de um parquinho de diversão. Havia mochilas de crianças esquecidas nos balanços. O vento os balançava lentamente, senti um aperto forte no coração. Aquela cena me lembrava alguma coisa no passado. 
- Droga, não poderemos seguir por aqui – um abismo bloqueava a saída do parquinho – ele estão vindo atrás de nós?
- Não sei, eles se movem lentamente. Tem uma escada de incêndio ali, o prédio não é muito alto, talvez conseguiremos pular de um para o outro.
Subimos a escada de incêndio dando no topo do pequeno prédio; eram apenas três andares. Pulamos para o outro lado e descemos para a rua.
- O que é esta sirene?
- Não sei ao certo, quanto toca uma sirene tudo fica escuro, parece que atravessamos o portal para o inferno e essas criaturas saem a nossa caça. Essas que ficam são as que não conseguiram se esconder quando tudo volta ao normal. Nada sobrevive quando esta cidade muda.
Um abismo nos separava da entrada do colégio. Havia como ponte um caminhão que ficara entalado entre uma parede e outra do abismo.
- Teremos que seguir por ali, é o único jeito.
- Você só pode estar louco! Não sabe se aquele caminhão aguentara o nosso peso. 

- Tem uma ideia melhor? Eu só não quero ficar aqui quando eles chegarem.
Cruzamos pelo caminhão, não conseguia ver o fundo do abismo, apenas névoa e mais névoa. Sinto como se uma voz me mandasse pular, resisto e devagar vou me aproximando da outra beira do abismo – estamos quase…
O caminhão desliza um pouco, seguro a mão de Cyntia.
- O caminhão vai cair!
Corremos para o outro lado, o caminhão está deslizando cada vez mas, eu salto, o caminhão caí, seguro a mão de Cyntia. Vejo o caminhão batendo nas paredes do abismo e sumindo, sem explosão, sem baque final, como se simplesmente desaparecesse.
- Segura, não vou te soltar! – ela pesa bastante.
- Se me soltar eu não te perdoo!
  Meu rádio começa a chiar, vejo eles subindo pela outra encosta do abismo. Um agarra a perna de Cyntia, sua garra a fere um pouco, eu puxo o meu revólver e atiro na criatura fazendo-a cair. Outro vem me atacar por trás, não posso atacar-lo e segurar Cyntia ao mesmo tempo, puxo-a para cima ela se agarra a pedra enquanto eu ataco a criatura com a tonfa. Jogo-o do abismo, mas eles sobem cada vez mais. Corremos para os portões da escola. Mergulhamos na escuridão de seus corredores, sozinhos, feridos, cansados e perdidos. Silent Hill tem vida, ri de nossa situação. Somos meros marionetes. 
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CONTINUA
ISHIMURA CHRONICLES E SILENT HILL A CIDADE DO SILÊNCIO EM PRODUÇÃO. ATRASOU UM POUCO PORQUE MEU PC DEU PAU NESTES DIAS. ATÉ DOMINGO TEMOS NOVIDADES NO AR!

30 de mar. de 2011

SILENT HILL - A CIDADE DO SILÊNCIO - CAPÍTULO 2



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SILENT HILL – A CIDADE DO SILÊNCIO Capítulo 2 
O BECO 


O sangue destas criaturas é ácido, ele corrói o pedaço de madeira que eu estou segurando, ele corrói o asfalto, ele corrói até a própria pele destas criaturas que não sei o que são. Eles vinheram para cima de mim babando e cuspindo ácido, consegui me esquirvar e acertar um ataque bastante produtivo fazendo um deles cair, joguei a lata de lixo no outro e ele desequilibrou e comecei a bater em algo que eu acreditava ser a cabeça dele. O sangue destas criaturas é ácido, corre ácido no meu sangue e isso que faz o ser humano sentir-se cansado, meu sangue está pulsando e minhas mãos estão tremendo, o ácido corrói a madeira, um deles havia se levantado e tentado me agarrar, noto que quando eles se aproximam o meu rádio fica chiando bastante, como se desse estática. Eu consigo me esquivar caindo no chão, ele cospe ácido em mim mas eu rolo para direita e o derrubo com uma rasteira, enfio a madeira no meio do seu abdômem e ela entra alguns centimetros, a criatura agoniza e morre. 

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O sangue delas escorre pela rua como uma poça de piche. 
Descanso no meio-fio. Que droga de lugar é este? 
Procuro no lixo algo que possa servir para me proteger, pego um pedaço de cano velho e partido, não é contundente mas me manterá respirando. A névoa é mais densa e ela parece ser triste. Seria tal névoa as lágrimas dos anjos? Sinto ela me envolver, ela entrar nos meus pulmões, ela assistir aos meus segredos que nem mesmo eu sabe exatamente o que é. Sinto ela com se fosse uma pessoa que a muito não vejo e que a visita não é nem um pouco agradável. 
Ando mais devagar no caminho de volta à delegacia. Não consigo enchergar muito mais lembro do lugar. Minha caminhada foi bem até eu me deparar com a imensidão branca de mais um abismo, este não estava lá quando eu passei no caminho de ida. Estava bloqueado denovo por estes abismos profundos, eu ouvia como se fosse uma voz chamando-me para mergulhar neste buraco sem fim, resisto e dou as costas. 
Sento no meio-fio. 
- Carl, responda, Carl, Carl – estática. 
- Alô?? Aaron, na escuta, achei que já tinha ido. 
- Carl, que diabos está acontecendo? Há um abismo na entrada da cidade e criaturas estranhas me atacaram, câmbio. 
- Eu te falei que era perigoso sair da delegacia. 
- Eu não consigo voltar, apareceu um abismo no caminho que passei, você conhece alguma outra rota? 
- Você está na St.Andrews? 
- E, eu acho que estou. 
- Se você ainda não passou o RedValet bar, você pode entrar em um pequeno beco. Da direto aqui, mas é bastante arriscado por causa do canil. 
- Não tenho outra alternativa não é? 
- Sinto muito. 

O RedValet estava desativado e sua sacada desmoronou. O beco era bem visível ao seu lado e possuía várias lixeiras reviradas. Sento nas escadas na sua frente. 
- Carl, está me ouvindo? 
- Na escuta. 
- Encontrei a droga do beco. Não me parece nada agradável. 
- Eu sei como se sente. 
- Como chegou aqui Carl? 
- Eu queria saber responder isso. Eu simplesmente não lembro do dia de ontem, como se eu estivesse vivendo nesta rotina há anos. Há anos eu ando pelas celas, há anos eu olho as portas, limpo meu revólver. Parece que eu nunca saí desta cidade. Já encontrei diversas destas criaturas, matei algumas, mas parece que tenho feito isso há anos. Não sei o que é. 
- Tem filhos Carl? 
- Eu, eu acho que sim, acho que tenho dois. Sabe, eu não tenho mais certeza de nada, quando você apareceu Aaron, não sei porque eu fiquei feliz de falar com alguém de novo. Parece que estou sozinho aqui há anos. 
- O que aconteceu com esta cidade Carl? Não há ninguém nas ruas, estes abismos aparecem do nada, estas criaturas que eu não sei o que é. Esta névoa. Onde diabos estamos Carl? 
- Eu, eu, eu não sei. Não me sinto bem aqui, não me sinto bem. Já pensei em usar esta arma que eu te dei e estourar os miolos, não sei, não sei se eu estou aqui. 
- Carl, nós vamos encontrar a saída. Seja o que for que esteja acontecendo. 
- Aaron, você precisa voltar para a delegacia rápido, antes que soe a sirene. Nada sobrevive do lado de fora quando soa a Sirene, aqui está protegido, eu desenhei o simbolo nas portas, eles não entram. 
- Que Sirene é esta Carl? Carl? – ele desligou o rádio. 


La estava o beco, entro devagar mas precisava me apressar, não queria ver o que era esta tal sirene. 
Latido. 
Um rastro de sangue me chama a atenção, o beco tem várias pequenas entradas mas todas não tem saída, ele só tem um caminho, para frente, ele é guiado por um rastro de sangue. 
Latido. 
Sinto algo vindo por trás, não dá para ver nada por causa da névoa. Aperto o cano com mais força, sinto a textura do ferrugem. Há um cadáver, e ao lado um pequeno portão que dá acesso a outra rua. O cadáver está completamente desfigurado e seu sangue empapado tinge sua volta de vermelho, ele segura um jornal que está muito sujo. 
“Foi encontrado nesta manha o corpo do oficial Carl Earlier, 42. Seu corpo estava na delegacia de policia quando foi encontrado pelo faxineiro. ----------------- sinais brutais indicam assassinato ---------------------- deixou filhos." 
Meus olhos queimavam, o jornal estava muito sujo de sangue, eu não consegui ter mais detalhes. Se aquilo era verdade eu não… 
- ATRAS DE VOCÊ – o cadaver põe a mão no meu braço. 
Um cachorro salta nas minhas costas, consigo me esquirvar no último segundo. Acerto-o com o cano, ele solta um barulho estranho, um grunhido. A parte inferior do seu maxilar se abre sua língua rola pelo chão, ela se levanta e tenta me atacar, passa na minha perna e me faz um pequeno corte, é afiada como se fosse uma faca. Outro tenta me atacar pulando pelo muro. Seguro sua cabeça, sua pele queima minhas mãos, ele tenta me morder mas dou-lhe um chute e ele cambaleia. Parto sua cabeça com o cano. O outro tenta me atacar com sua língua mas consigo matar-lo também. Olho novamente o cadáver e ele está la, do mesmo jeito. Acho que eu o imaginei se mexendo. 
- Carl, Carl. Você esta ai!? Carl! 
Passo pelo portão, viro a direta, consigo ver a entrada da delegacia. Por que diabos Carl não me indicou o beco antes? 
As portas estavam abertas, não estavam abertas quando saí, Carl não iria deixar as portas abertas. 
- Carl!? Carl!!? Você está ai? 
Vejo a lâmina da faca branca, pontiaguda, parecendo uma faca feita de osso entrar lentamente na carne. O sangue escorre e atinge o chão. Ela entra no lado esquerdo do peito, consigo ouvir-la perfurando o coração em um barulho desagradável. Tosse. 
- Carl… 
Ele estende a mão na minha direção. Seus olhos estão vazios, sua mão cai com um baque seco no chão. O sangue escorre, se alastra, é nojento, o cheiro de sangue no ar.


- Você demorou bastante para chegar, sinto não ter deixado seu amigo ter dito a você as últimas palavras – ele estava sobre o corpo de Carl, a faca ainda enfiada no peito. Ele a puxa com violência e o sangue espirra. Ele se levanta, limpa a faca em uma espécie de capa preta que ele tem presa as costas – é uma pena mesmo, isso sempre me deixa um pouco cansado mas tudo está correndo tão bem! Você demorou muito para chegar. Mas não vou deixar você vendo esta cena desgastante por muito tempo. 
Ele se vira para mim, é da minha altura. Seu rosto está cobeto com uma espécie de máscara feita de um crânio humano. Não sei se é um crânio de verdade. 
Carl esta morto, ele o matou. 
Carl está morto. 
E eu não sei se realmente estou vivo. 
CONTINUA 

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29 de mar. de 2011

Silent Hill - A cidade do Silêncio - Capítulo 1

SILENT HILL – A CIDADE DO SILÊNCIO




CAPÍTULO 1  
BEM VINDO A SILENT HILL
Frio, quando os ossos gelam de veradade e podemos ver nossos rostos estampados no mármore frio. Não penso o que irão escrever no meu epitáfio, não penso o que vão escrever no meu futuro, no meu passado, no meu presente. Distinto é tudo aquilo que não me pertence. Minha história talvez já estivesse escrita nas cinzas púdicas de um mundo tão ingênuo. Solidão, dor, perdão, estar distante um pouco de sí mesmo e voltar no passado para buscar respostas. Medos.
  As grades imóveis eram a fronteira entre o lado de dentro da cela e o lado de fora. Não lembro o que eu sonhava mas eu lembro que me olhava em um espelho quando o espelho tenta me agarrar. Acordo, estou em uma cela. As grades são frias, minha cabeça doí. Sinto que é um lugar um tanto quanto sujo, mas arrumado, parece que estou aqui há algum tempo. Lavo o rosto na pia, as gotas de água descem pelo meu rosto, o barulho da água na pia ecoa por todo o corredor. A porta da cela está trancada, estou literalmente preso. Tenho vontade de gritar mas sinto como se estivesse sendo observado, como se houvesse alguem comigo na cela. Olho de baixo na cama, apenas uma folha de papel com algo escrito que não entendo bem, a letra está ilegível.
  - Tem alguem aí? – meu grito é rouco e rebate nas paredes, nas portas, nos espíritos, nas almas, nos pássaros, no ár, no mundo que eu acredito que existe mais não sei se existe de verdade. Como se alguem fosse gritar a qualquer momento, não é um silêncio comum. Minha mãe dizia que quando sentimos um silêncio assim é que um anjo está no nosso lado, um anjo triste. Estou triste, não sei porque, estou preso, não sei como vim parar aqui. Lembro-me que, que, que… Lembro-me que…
  - Santa mãe, como você veio parar aqui? – Um policial, ele é gordo e desengonçado, trás um molho de chaves um tanto quanto barulhentas na mão. Tem aparência cansada no rosto, ele abre a cela – não vejo niguem por aqui há muito tempo. 


  - Eu, eu não sei como eu cheguei aqui?
  - Vamos, saia depressa. Qual seu nome filho? 
- Aaron, Aaron Ashford. 
- Carl Earlier, Me chame apenas de Carl – ele me cumprimenta com seus dedos roliços. O distintivo está bem polido e suas botas bem engraixadas. 
  - Ah, Carl, onde eu estou? 
- O nome do lugar é Silent Hill – minha vista se turva, sinto uma vertigem repentina, Carl me apoia com o braço – você deve estar mal garoto, vamos, sente-se.
  Minha cabeça doí, Carl está fazendo café. Minhas mãos lisas, meus sapatos, calças, camisa. Como se eu tivesse saido de casa hoje com uma roupa diferente, como se eu tivesse saído de um lugar que já estivesse feito minhas raízes e agora estou distânte. Vã sensação de saudade. Vã sensação. Há uma penumbra em minha mente que não me permite saber mais detalhes sobre mim mesmo, sou Aaron Ashford e, e, e…
   - Beba, vai se sentir melhor – o café quente estava com muito pouco açucar – eu realmente não sei como você parou aqui, eu sempre venho nesta delegacia e nunca tem ninguém. Alias, eu mal saio daqui por causa deles. Você não se lembra de onde veio? 
- Deles?
  - Ah, desculpe se estou forçando, sei que está muito cansado. Alias você não parece nada bem, se quiser dormir um pouco tem um sofá lá trás com algumas cobertas. Fique à vontade, não tenho tantas visitas aqui.
- Não, não obrigado, eu tenho que sair daqui. Você disse que estou em Silent Hill não é? Como faço para sair da cidade?
  - Sair da cidade? Não acho que vai conseguir sair da cidade, mas se realmente quer tentar. Vai pegar a St. Andrews direto e virar a esquerda na Houstou Park. Aqui, uma mapa e um rádio caso precise se comunicar, vou estar na estação 19.333, não vai se perder na névoa – levanto-me ainda um pouco zonzo e caminho até a porta – espere, tome, se você precisar. 
  - Por que está me dando a sua arma? 
  - Precaução. 


   Frio, como se o inferno tivesse congelado e tudo se tornasse tão triste e tão silêncioso. Frio, como se minha alma estivesse em torno de mim e estivesse me tranquilizando e estivesse, e estivesse… Frio, o silêncio reina por completo, não é possível ouvir nada pois como um anjo triste está tudo tomado pelo caos silêncioso, Frio, não enxergo nada além de meus próprios passos. Ando pelas ruas silenciosas com medo, com temor, como se algo fosse me engolir a qualquer momento. Não há nada além de mim, não há pessoas, os carros estão abandonados, as lojas fechadas, as casas vazia, sem cachorros, gatos, carros, pessoas, nada, apenas nada e silêncio. Um lugar longíquo e branco que nada representa, nada diz, nada se faz, eu tenho medo porque não conheço o desconhecido, eu tenho medo porque algo me acompanha de perto, com olhos vermelhos e densos, pronto para me engolir. Sinto um calafrio, olho para trás.
  Nada.
  St. Andrews virando a esquerda em Houstou. 
  Nada.
  Ando pela Houstou,  lembro de alguns sonhos meus do passado, sonhava que estava na beira de uma lagoa brilhante onde pássaros voavam e crianças brincavam na outra margem, eu molhava os meus pés, eu tinha sete anos de idade. Alguns pequenos barcos com pescadores paciêntes e suas linhas brancas brilhantes. Sorrisos. Eu molhava os meus pés na límpida e fria água do lago, eu brincava na beira do lago. Uma família comia algumas frutinhas ao fundo, duas meninas pulavam corda, elas cantavam uma canção enquanto pulavam corda “Cirandinha cirandinha pula uma pula a minha, cirandinha cirandinha pula rápido esta linha” E elas brincavam, e elas brincavam.  
  O grito tomou conta. 
  Cirandinha, cirandinha. Corpos apareceram boiando na lagoa, todos saiam correndo gritando. Algo pegava fogo e um incêndio se alastrava queimando a todos. Pula uma pula a minha. Algumas pessoas pulavam na água tentando escapar, mas como tentáculos algo as agarrava e as fazia se afogarem, todos gritando, tudo ardendo.
  Ai eu acordava. 
  A placa fria dizia “Bem vindo a Silent Hill” e eu caminhava no sentido oposto deixando-a para trás. Não sei como eu cheguei aqui mas estava deixando esta cidade triste e vazia para trás. O que Carl faz aqui já que não tem ninguém para servir e proteger? Porque ele me deu a arma já que não tenho que me procupar de me proteger de ninguém?
 
                Abismo. 
  Olho para baixo. 
  Não enxergo o fundo. Um abismo profundo no meio do caminho, não há maneira de contornar, ele me bloqueia. Estou preso em silent hill. 
  - Carl, câmbio, câmbio, Carl, está me ouvindo – estática – Carl, tem um abismo no meio do caminho, você está sabendo disto? Não dá para sair da cidade por aqui, Carl tem outro caminho? Carl? 
  Nenhuma resposta, o rádio não está funcionando. Tenho que voltar para a delegacia. 
  Estática.
  O rádio começa a funcionar de novo, sinto um frio vindo das minhas costas, como se o abismo estivesse funcionando. O estática do rádio aumenta e eu vejo uma mão saindo da borda do abismo como se fosse um escalador. Fico parado, como se estivesse congelado. Ele vai surgindo lentamente da borda do abismo. É feio, o corpo está todo desforme, como uma vítima de atropelamento, sua cabeça treme fortemente e parece que o seu pescoço está quebrado, ele está gemendo. 
  - Por Deus!? O que é você – ele vem na minha direção, sua bába escorre pelo seu corpo queimando-o. É ácido – Se você não parar eu vou ter que atirar em você!  
  Ele ainda caminha em minha direção eu aponto a arma para ele, ele caminha em minha direção, eu disparo.
  Uma. 
   Duas.
  Três.
  Quatro.
  Cinco.
  Seis.
  As balas acabam, ele cai. Está tremendo no chão. Sinto a mesma sensação denovo, há mais dois se aproximando, estou sem balas, saio correndo, tropeço, caio nas latas de lixo. Pego um pedaço de madeira. 
  Como se me dissessem: “bem vindo a Silent Hill”

28 de mar. de 2011

DEAD SPACE - ISHIMURA CHRONICLES - CAPÍTULO 3


CONExÃO



“Saíndo da gravidade zero” 
Estou cansado. Parece que toda a Ishimura quer minha cabeça, parece que sou o cara mais azarado do universo. Estou cansado, e tudo está conspirando contra mim, pelo menos estou armado com uma arma de cortar pedras, ou seja, não poderia ficar pior. Estou cansado, meu trage pesa, minha cabeça doí e eu mandei minha namorada para uma infestação alienigena, eu mandei minha namorada para o pior lugar do espaço. Estou cansado…
- Na sala a esquerda Isaac, um elevador de carga irá te levar para o setor de engenharia comunicativa – Elevadores e mais elevadores, o que eles tinham contra as escadas.
  - Não teremos mais nenhuma surpresa não é Kendra?
  - Esperamos que não.
  A porta se abre, o chão está coberto com uma gosma grudenta, há um forte cheiro de carne podre que meu capacete mesmo filtrando ainda sim é possível sentir-lo. Ao fundo, a porta do elevador.
  - Kendra, esta sala está repleta de um material que eu não sei bem o que é, mas não é nada agradável pisar nisto!  
  - Tentei fazer leituras, parece que é orgânico.
  - Com certeza é orgânico
  Ouço algo como um grito misturado a um grinado. Ao lado da porta do elevador uma massa de carne saí da gosma fedida e seus tentáculos se prendem a parede. Seus tentáculos parecem bem perigosos. Se aquilo foi uma pesso eu não sei, agora é apenas uma massa de carne querendo me matar, ele lança pequenos monstrinhos que tambem lançam agulhas afiadas de suas ventosas, pulo para o lado e atiro em seus tentáculos com o Plasma Cutter, o monstro urge e lança mais daqueles monstrinhos. Seus tentáculos tentam me agarrar mas consigo me esquirvar atirando neles, os monstrinhos lançam as agulhas que ficam presas no meu trage, meu pé fica preso na gosma e eu caio. Os tentáculos quase me acertam mas eu consigo cortar todos. O monstro agoniza e murcha como se fosse um balão, um cheiro ruim infesta a sala toda. Estou sujo de gosma fedida.
  - Isaac, está tudo bem!? 
  - Nada, só mais um contra tempo. 
O elevador range ao descer, estou apontando a arma para cima no caso de qualquer surpresinha mas tudo corre bem. 
  - Parece que você já está bem melhor Isaac. – Ela sempre vem me ver, não precisava mais, as enfermeiras poderiam cuidar de mim mas ela sempre vem me ver.
  - Ainda sinto algumas dores, mas acho que já estou bem.
  - É, eu vou arrumar a papelada para sua saída – ela dá meia volta e anda bem devagar como se esperasse que eu dissesse algo.
  - Ehh, Nicole, sabe, ehh, eu queria perguntar se, ehh – Ela para, está de costas para mim – eu queria perguntar se você vai fazer algo depois, sabe, se você gosta de comer, ehh, claro que gosta de comer, mas, se gosta de…


  - Adoro a velha culinária italiana.
  - Eh, isso, você gostaria de…
  - Claro! Próximo final de semana? 
- Se não for incomodo.
  - Veremos – ela saí da sala.
O elevador abre suas portas, não gosto deste silêncio todo. Estendo minha palma da mão para o chão e um faixo de luz azul ilumina as minhas cordenadas, é possível ouvir o som de carne sendo mastigada. São várias galerias de corredores suspensos, os cabos para a comunicação interna estão na parte inferior mas só é possível chegar lá desligando a gravidade.
  - Isaac, a sua direita.
  Puxo a alavanca com a minha arma anti-gravitacional e as coisas começam a flutuar ao meu redor, vários cadáveres mutilados.


  “Entrando na gravidade zero” 


Não estou sozinho. 
Meu corpo começa a flutuar mas sinto algo estranho no ar, o barulho de carne sendo comida cessou mas começo a ouvir passos nas paredes de metal.
- Tem alguem aí!? – sinto-me ridículo agora. 
Aponto o faixo de luz da Plasma Cutter para as paredes mas não consigo enchergar nada. As batidas estão cada vez mais fortes e vem de trás de mim. 
Com certeza, eu vacilei.
Seus bafo quente estava embaçando meu visor, sua baba escorria pelo meu trage e seus dentes enormes se aproximavam de meu rosto. Ele tinha pulado em cima de mim e por sorte eu consegui segurar-lo antes que ele tivesse devorado minha cabeça. Ele está rugindo, a ponta de sua calda tem uma lamina afiadíssima que tenta cortar minha perna fora, mas estou a chutando. Ele está tentando arrancar minha cabeça, não conisgo atirar com o plasma cutter. A gravidade  zero não está ajudando em nada, meu corpo está preso entre ele e o chão, se eu conseguisse flutuar…
Nunca senti um cheiro tão ruim na minha vida, este bicho feio em cima de mim querendo me comer, vejo mais um se aproximando, ele salta mas eu consigo atirar nele com o plasma cutter, ele perde a cabeça e começa a bater em todos os lados. Sua calda passa a milimetros de minha cabeça mas acerta o seu amigo que estava em cima de mim, consigo me afastar um pouco, puxo uma barra de ferro que estava flutuando com minha arma anti-gravitacional e ela impala o que estava me segurando. Conisgo me afastar mas vejo que mais três vem na minha direção.


Novamente, estou ferrado.
- Então, porque engenheiro? – Ela veste um vestido verde Jade, seus olhos são rápidos e seus cabelos loiros estão presos, ela sorri para mim. Estamos comendo spagetti.
Meu paí foi capitão das forças especiais, sabe a guerra de Kalih há vinte anos atrás? Pois é, ele foi o capitão da terceira divisão. Ele queria que eu fosse militar como ele foi mas eu acho que eu nunca conseguiria atirar em alguem – rimos da minha covardia? – como sempre gostei de matemática e física, virei engenheiro.
  - Nerd! 
- Ah, você  é médica, tão nerd quanto eu!
  - Era muito importante que eu fosse médica, minha família inteira é formada por médicos. Você nasceu na Terra? 
- Sim, mas morei dês dos 15 na colônia Ashram, perto de Vênus.
- Nasci na colônia lunar, fiquei um tempo na Terra mas acabei voltando para a colônia lunar, fiz medicina lá.
- Nunca fui na colônia lunar.
- É um local lindo, a visão que temos da Terra é fantástica. Sua mãe? Tambem era militar?
- Não, pior, ela é religiosa demais. Uma das presidentes da Untologia na Ashram. 
- Então, estou falando com um garoto religioso – parece que ela gosta de debochar de mim.
- Não, não gosto de lá, não gosto deles. Você frequenta?
- Um pouco, sinto paz nas igrejas. Você parece gostar muito da paz não é?
- Para um filho de militar que viu o pai ir a guerra e voltar pior do que era? É eu gosto da paz.

Droga.
A carga de plasma flutua débilmente pela sala. Sangue e pedaços de monstro. Estou atirando e eles ainda vem para cima de mim. Um me acerta e me lança para o lado oposto. Bato com violência contra a coluna central. Ele tenta pular para cima de mim mas eu consigo acertar sua calda com o Plasma Cutter. Ele sangra e rodopia, com a arma gravitácional, eu o impalo com  a própria calda. É incrível que eles eram homens antes de virarem estas coisas.
- Kendra! Está sala está enfestada destas coisas. Não sei se tem mais, mas consegui matar alguns. 
- Isaac, tem que descer no foço e conectar os cabos. 
Descer mais um passo para o fundo do poço. Isso está ficando cada vez melhor.
Muitos cadáveres, praticamente o setor da engenharia comunicativa fora completamente dizimado. Escuto o som daqueles monstros me procurando no lado superior e alguns bantendo-se na fuzelagem. Utilizo a lanterna do Plasma Cutter para não me ferir em nenhuma ponta, por mais que meu trage seja blindado ele não é um trage militar. 
  - Kendra, más notícias. Parte do cabeamento foi completamente mastigado, só consigo ligar parte do sistema de comunicação interna da nave.  
   - Droga Isaac, você acha que isso vai conseguir livrar o acesso para a ponte? 
  - Não sei, eu acho que sim. Vamos testar.
   Ligo cabo A com cabo B, troco o suprimento de ernegia e faço uma ponte extra, cabo C na ponte B para ernegia extra, salto para o outro lado da sala e desconecto todos os cabos danificados e ligo os cabos de suprimentos. Atraco as alavancas de ermegência e puxo a elevação superior ligando as placas de cobre A com a Z. Tudo iluminou-se como mágica, o foço do setor de Engenharia comunicativa ilumina-se, posso ver os cadáveres mais nitidamente. 
  - Isaac, o acesso à ponte está liberado, todas as portas estão abertas. 
  - Ok Kendra, vou subir. 
  Silêncio. Os monstros haviam sumido, acho que foram procurar outro lanchinho.  Estabilizo-me para sair pela porta quando o chão tremer. Preparo o meu Plasma Cutter porque isso é sempre um mal sinal.
  - Kendra, o que é isso?
 
                O vidro de proteção se parte em vários pedaços e são lançados para o espaço. Sou arrastado para fora da nave surge do portal um ser grotesco e terrivel, com dois braços enormes e boca proporcional aos braços. Sua baba ácida corrói o chão. Ele parece não se importar com a sucção e vem para cima de mim. Consigo me jogar para cima, auxiliado pela gravidade, ele me agarra pela perna e me joga na parede o posta, bato a cabeça com violência e minha vista perde o foco. Atiro com o Plasma Cutter tentando fazer-lo parar. Ele vem em minha direção e vai me esmagar na parede. Deixo-me levar pela sucção e passo por debaixo das pernas dele. Atiro na trava de segurança e a porta se fecha fazendo tudo flutuar novamente na sala. Não há oxigênio e meu trage suporta até oito minutos no Vácuo. Não foi feito para manutenção exterior.O monstro urge, as suas juntas apodreceram e uma carne pustulenta amarela brilha, é a única parte vunerável do meu amigo. Novamente ele vem na minha direção, a gravidade está a meu favor e ele passa por debaixo de mim, atiro pelas costas e ele urge, os tiros de plasma são bastante efetivos. Ele joga em mim um banco e o mesmo se parte no meu peito fazendo-me flutuar para o outro lado. Ele novamente me agarra pela perna e me joga no chão. Seus punhos enormes passam a milímetros do meu rosto e sua baba está derretendo algumas partes do meu trage. Atiro novamente nas partes amarelas e ele recua. Seu braço caí. Ele está urgindo pela sala. Tenho quatro minutos de oxigênio. Ele novamente lança coisas sobre mim eu não consigo me esquirvar do armário de ferramentas que vem em velocidade maior na minha direção. Ele novamente corre para tentar me esmagar quando eu atiro na sua outra parte vunerável partindo o seu braço no meio. Ele cai de cara no chão fazendo uma risca de bába ácida. Dou vários tiros de Plasma Cutter na sua cabeça para matar o bicho. Ele dá seu rugido final. 
  Meu corpo está muito dolorido,  tenho um minuto de oxigênio. A porta está trancada. Com a descompressão todo o setor ficou fechado, só dá para abrir por fora.
  - Kendra, estou preso, o sala está sem suporte vital e a descompressão ligou o sistema de ermegência. 
  - Estou tentando abrir Isaac, aguente firme.
  Meu ar está acabando, começo a bater na porta. Tenho 40 segundos de oxigênio. 
  - Kendra, rápido! Estou sem ar, estou morrendo Kendra! – minha vista começa a escurecer. Não consigo respirar, vinte segundos.
  - Isaac, está protegida com código unilateral, só é possível abrindo por fora ou se eu Hackear o sistema.
Caio de joelhos, não consigo respirar.Meus olhos lácrimejam, quero ver Nicole denovo. Meus pulmões doem, eles tentam aproveitar todo o ar que ainda me resta. Meu suporte vital chega a zero, sinto dor, começo a me debater.
  - Isaac!
  Eu estou morrendo, minha vista escurece, eu estou morrendo.
- Isaac, aguente firme, estou quase conseguido.
  Eu não sabia que sendo engenheiro minha vida teria tanta ação assim. Agora eu estou morrendo em uma nave  infestada de alienigenas, Nicole, eu acredito que ela está viva, Nicole, eu queria te buscar, eu…
  Acho que cheguei a o fim.
  - Isaac!!!!